Em seus fabulosos desenhos de pássaros, James Audubon retrata cada detalhe com grande cuidado, pena por pena, com uma cor distinta para cada camada de penas e com grande precisão nas cores e na expressão dos olhos. Ambienta os pássaros em seu habitat natural com tratamento igualmente meticuloso. A iContinue
Em seus fabulosos desenhos de pássaros, James Audubon retrata cada detalhe com grande cuidado, pena por pena, com uma cor distinta para cada camada de penas e com grande precisão nas cores e na expressão dos olhos. Ambienta os pássaros em seu habitat natural com tratamento igualmente meticuloso. A intenção narrativa dos desenhos é claramente expressa, não há dúvidas quanto ao objetivo do autor. Ele escolhe mostrar o pássaro em seu próprio ambiente e, para ele, a história está completa.
Audubon pertence à sua própria época. Seus desenhos correspondem à narrativa prosaica de Balzac: partes igualmente objetivas e subjetivas, científicas e românticas, realísticas e ilusórias. Desde então, os pássaros têm sido desenhados, pintados e fotografados por muitos artistas, mas ninguém até agora, alcançou a pureza dos desenhos e aquarelas de Audubon.
Já Andrew Zuckerman, aborda os pássaros com atitude contemporânea, minimalista: sem contexto narrativo, sem interpretações psicológicas, sem cândidas fotos tiradas nas florestas. Um fundo de pura luz branca serve de campo onde os pássaros voam ou repousam. Neste cenário incrivelmente luminoso, as cores das plumagens dos pássaros ganham vida como jamais visto antes pelo olho humano. É a luz que realmente nos dá esta riqueza de cor, esta representação hiper-realista de cada pena, a expressão cristalina dos olhos, o movimento das asas e do corpo.
Enquanto o interesse de Audubon repousa no contexto, Zuckerman apenas quer a silhueta dos pássaros contra o fundo branco de luz: uma clara noção de espaço no qual qualquer objeto se torna sua própria essência. Cada pássaro só pode ser aquele determinado pássaro, o único com aquela expressão, aquele movimento corporal e aquelas cores.